Heráldica

CANELAS

 

Ordenação Heráldica

Brasão: Escudo de verde, coreto de ouro assente num monte de negro e perfilado do mesmo; em chefe, à dextra, escudete antigo de azul, carregado de onze besantes de prata e perfilado do mesmo e à sinistra, de uma espiga de milho desfolhada de ouro; em ponta, roda dentada de prata.

Coroa mural de prata de quatro torres.

Listel branco com a legenda a negro, em maiúsculas, CANELAS – VILA NOVA DE GAIA

Bandeira e Selo

Bandeira - Esquartelada de azul e branco. Cordão e borlas de prata e azul. Haste e lança de ouro.

Selo – nos termos da lei, com legenda: «Junta de Freguesia de Canelas – Vila Nova de Gaia»

COMENTÁRIO SIMBOLÓGICO

Escudete antigo – Indicativo que o povoamento de Canelas é anterior à fundação da nacionalidade.

Foi durante a reconquista cristã que surgiram os primeiros documentos escritos relativos a Canelas. A Karta de Negrelos é o primeiro a ser conhecido, datado de 1042, onde um tal Cipriano e a esposa referem os bens deixados.

Testemunho da presença romana é o forno de cozer cerâmica possivelmente do séc. 1 A.C. encontrado no lugar do Paranho.

Durante toda a sua história Canelas foi influenciada pela Igreja. O património fundiário pertencia maioritariamente ao mosteiro de Grijó e o padroado da igreja era da Colegiada de São martinho de Cedofeita.

Espiga de milho: Alusão ao labor dos campos e as suas terras férteis.

Em 1042 na Karta de Negrelos já se mencionavam topónimos indicativos das culturas praticadas nesta terra onde se inseria também a fruticultura. O próprio topónimo de Canelas é de origem britânica que vem de terra de canas pequenas. Estas canas nasciam junto de pequenos ribeiros de forma espontânea e em grandes quantidades. A produção agrícola era bastante elevada e suficiente para o auto sustento do povo.

As memórias paroquiais de 1758 referem que havia abundância de milho grosso, centeio, feijão, trigo e cevada. Não podemos esquecer outras pequenas, mas valiosas culturas como a vinha, as hortaliças e o vinho.

Coreto: Representativo do monumento emblemático da terra.

Os coretos são construções circulares erguidas em madeira ou pedra que encontramos em alguns adros de igrejas e em jardins, onde noutros tempos as classes sociais acorriam para ouvir música. Há em Vila Nova de Gaia, nomeadamente nesta vila, um coreto deslumbrante onde o ferro foi primorosamente tratado e é uma imitação de um outro italiano publicado numa revista da época. A sua construção protagonizou uma história rocambolesca. Começa com um benfeitor que queria a todo o custo concretizar o seu sonho. Estávamos em 1905 quando chegou à Confraria do Santíssimo Sacramento de Canelas uma carta que se dizia de um paroquiano antigo. Essa carta tinha um pedido: construir um coreto no arraial da freguesia. Juntamente com a carta foram enviados quatro mil reis para o início da empreitada.

O paroquiano incógnito dizia ter 73 anos de idade e estava há 71 emigrado no Brasil e que, no momento em que escrevia a carta, estava a banhos em Espinho. De boca em boca foi correndo a mensagem que a terra ia ter um coreto. Passados dois dias nova carta foi recebida com um donativo de 100 mil reis e contendo as indicações de como deveria ser feito, baseado na tal imagem da revista. O patrocinador conhecendo os bons artífices das redondezas recomendou um entalhador de Argoncilhe e um serralheiro, Eduardo Domingos, do lugar do Corvo, em Arcozelo.

Em 24 de junho de 1907, três anos depois de iniciadas as obras, no dia de S. João Baptista, padroeiro da freguesia, foi inaugurado o coreto.

A história acabou com um final feliz. Mas o benfeitor anónimo não era nenhum conterrâneo emigrante idoso, a veranear em Espinho, mas antes um jovem residente na freguesia que se chamava João Alves de Oliveira, filho de um afortunado armazenista de mercearia da Rechousa. O verdadeiro financiador foi o pai que desconhecia a tramoia do filho. Quando soube, desprezou o filho até à morte.

Monte: Alusão à Serra de Negrelos ou de Canelas.

A serra de Negrelos, com 244 metros de altitude, é uma área protegida natural considerada por muitos como o pulmão de Gaia. Nesta mancha verde nascem três pequenos ribeiros.

Roda dentada: Alusão à indústria instalada na freguesia.

As pedreiras de Canelas são sobejamente conhecidas. Há documentos relativos às mesmas a partir de 1588.

Nesta localidade estão instalados três grandes espaços industriais do concelho: os parques industriais da Ortigueira, dos Terços e da Mina.

Coroa Mural: com quatro torres, categoria de vila, distinguida com este título pela Lei 13/88 de 1 de fevereiro de 1988 da Assembleia da República.

Listel branco com legenda a negro em maiúscula Vila de Canelas.

 

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